Era só eu quem reparava,
Eu contemplava as minhas sombras estáticas,
Como quem adora um monumento consagrado,
Algo que ficou documentando um tempo passado,
Dentro de um salão de antiquários.
Hesitei alguns minutos para voltar a perceber a gravidade terrestre,
Pensei para levantar meus pés e dar mais um passo,
Fosse um passo para frente,
Um passo ao lado,
Ou mesmo um passo para trás,
Naquele momento qualquer coisa seria válida,
Qualquer coisa que me tirasse do lugar onde estava absorvida pelas minhas pessoas.
Senti que o centro da Terra é um imã puxando-me sempre para baixo,
Assim mantenho meu precário equilíbrio.
Poderia ser uma música,
Ou poderia ser o silêncio,
Mas precisava que de algum modo
Meu coração não passasse despercebido pelo som,
Pois eu procurava a saída do estatismo,
Buscava algum fluxo
Que não fosse o fluxo sonâmbulo.
sábado, 24 de maio de 2008
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