Entre flores e mistérios,
Entre mistérios e flores,
Eu vaguei no jardim da noite.
A lua refletida nas águas da fonte,
No branco brilho da lua eu podia entrever sombras.
As águas também refletiam meus olhos,
Procurei palavras para descrever o que via,
Tive medo de dizer palavras que tivessem o valor do nada,
Tive medo de ser aniquilada por pensamentos inexpressivos
Que eu não fosse capaz de carregar.
Depois tive medo de não ser digna da minha solidão,
De não saber o que fazer com minha preciosa solidão.
Tive medo de estar ali,
Absorta pela minha imagem,
Tal qual Narciso,
Para sempre,
Sozinha para sempre,
Então me invadiu um medo de não ser digna de companhia.
Entre flores e mistérios,
Entre mistérios e flores,
O que sobrava em minhas mãos
Eram pétalas de acaso,
Puro acaso que poderia me levar para o Olímpio,
Ou para o Hades.
Debrucei-me a pensar em tal dualidade,
Quis ir para o Olímpio,
Quis ir para o Hades,
Mas não queria ficar no meio do caminho.
Não queria o entre,
Queria o extremo,
Queria a força da vida exalando seu hálito por todos os cantos,
Queria, até mesmo, a força da morte exalando seu terrível hálito.
Mas não queria me perder em sorrisos feitos de conveniências,
Não queria me perder em hábitos distraídos,
Em beijos tediosos,
Ou amores sem odores.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário