segunda-feira, 19 de maio de 2008

Outros Lados

Enquanto o mundo se perde na via-láctea
E o homem olha calado
Com espanto e pudor dos seus atos dignos de vergonha,
Há dois pássaros que somem no horizonte,
Se um quer o céu,
Eu não hesito em dizer inferno
Porque aprendi a voar me arrastando no chão.

Outro dia perdi a estrela,
Fiquei nuvem diluída no vento,
Mesmo furacão me fez dormir,
Acordei a três milhas de mim.

Quando vi que não via o meu rosto,
Dei-me por morta,
Porém logo percebi meu coração batendo
Como uma pessoa impaciente tocando a campainha.

Tentei atender as mil portas do espírito,
Todavia eu cruzava os túneis da aura sem ter chave,
Sem ter fechadura,
Muito menos abertura,
Eu passava pelas frestas invisíveis que a luz da lua cortava para mim,
Deste modo passei por todas as avenidas do mundo
E mais uma centena de lagos e cachoeiras secretas,
Passagens para outros planos de existência,
Onde cachorros latem miados
E gatos miam latidos.

Não era febre que eu sentia,
Era frio de palavras de crianças vestidas de pais batendo em crianças vestidas de filhos.

O sorvete gelado que tomei de sua boca era muito quente,
Fiquei até doente.

Uma esfera além da nossa,
Antes? Depois?
Superior? Pequeno?
Vai aqui em outro lugar saber!
O círculo gira em redondo,
O céu se mostra em azul,
Mas tem outras cores, só que o universo chupou,
Fez isso para não nos matar de complexo de inferioridade.

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