sábado, 24 de maio de 2008

Passear pela sala

Passear pela sala,
Passos em descompassos no mesmo cômodo de todos os dias,
Em mim um pedaço de incomodo,
O fastio das paredes abatendo-me.

A tristeza da ansiedade vem engolindo minha rotina há dias,
Espero que minha espera não esteja esperando por nada,
Quero dizer que espero que minha espera espere por algo além de vultos.

Não há nada que venha derreter o silêncio,
Pois ninguém vê a cor do meu retido grito,
E o que diria minha tímida voz diante do delírio,
Da sensatez do meu delírio,
E o que diria minha tímida voz diante de você,
Da sensatez da sua existência quase calculada.

Pensar em você não me levará a qualquer lugar,
E que lugares procuro?
Não quero espaços nos seus braços,
Não desejo ter histórias nas suas memórias!
Onde é que eu poderia ir?
Vou pensando em parar de pensar.

Seria perfeito se eu me entendesse com o imperfeito,
Seria quase um gozo senão fosse o desprezo,
Seria lindo alcançar a imperfeição perfeita,
Tão lindo,
Quase ridículo de tão bonito.

Pego com carinho o telefone em minhas mãos,
Está mudo como eu,
Deixo-o cair sem que meus olhos caiam também,
Seguro meus olhos na face,
Peço desculpa a mim mesma pelo que me fiz,
Depois cuspo as desculpas no ralo da pia.

Não posso mais me arrepender das desventuras,
Desvaneço os velhos rostos na fumaça de tantos cigarros,
Tento traçar um futuro qualquer,
Mas no estado em que me encontro,
Se todas as retas virassem curvas,
É provável que eu não notasse.

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