Embriaguez de cansaço
O sono quente da noite
A chuva fria
As lembranças vagando nos porões
Piadas pacatas e indecentes
Poemas do avesso
Pensar nos fios de sua melancolia
Sentir seus fantasmas perto de mim
Apenas em imagem
Mas até as vértebras arrepiam
Calafrios perpassando meus duros calos
Um maço de cigarros de filtros vermelhos
São os disparates
Minha voz emparedada no quarto
Ou muito dispersa na úmida madrugada
Aqui nesta cidade inverno
Olhos que vibram
Olhos que vidram
Vidrados no transparente limpo das janelas
Paisagens tão calmas escondendo suas violências
Um coração pulando
Fugindo daqui
Fungando em desordem
Em descontente desânimo
Ou, talvez, apenas clamando
Chamando-me
Algumas idéias desmaterializadas
Matérias que vagam
Não assumo nada
Sumo no escuro
Sou a que voa, flutua e rasteja
Sou a que escorre em vão
A que se recolhe em lágrimas vãs
A que se espalha em lágrimas vãs
Se me pedem palavras
Se me cobram explicações
Não as tenho
Só tenho interjeições
Espaços entre o delito e o bom senso
domingo, 24 de agosto de 2008
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