Uma nobre postura,
Estacionada e incongruente,
Expandindo a pequenez por tantos ângulos.
Segurei, mas caiu a lágrima,
Caiu como um fio dos meus olhos,
Escorrendo junto minha alma,
Vazou em diminuto,
Tão feroz e lentamente!
Voraz, porém perdida,
Acariciando a dor,
Acariciando meu próprio afeto
E desafeto.
O feto de minhas buscas,
O gêmeo de minhas angústias.
Uma nobre postura,
De pedra líquida e rachada,
Encolhendo os medos em cada canto do corpo.
Tive um desejo surdo que escutei,
Minhas vozes chamavam meu nome,
Chamavam-me também por outros nomes,
Alguns que nem conheço nem entendo,
Alguns que entendo e conheço demais
Para encarar.
Fecho os olhos em resignação envergonhada.
Mas serei sempre o depois,
Serei sempre pouco em tanto,
Serei sempre o avesso sujo
Ou enojadamente limpo,
Serei sempre a calada,
A que espera em estupidez um beijo?
Não um beijo de alguém,
Um beijo apenas,
Como se no beijo todo mais diluísse,
Como se um beijo pudesse diluir-me,
Desistindo-me de expressar,
Ou expressando-me toda num beijo,
Ou então, apenas querendo um beijo,
Apenas querendo a expressão do beijo,
Não mais a minha,
Querendo de mim apenas quietude,
Entrega e tristeza a escoar,
Escoar, escoar, escoar...
Como se logo fosse um fim,
Mais a frente um pouco, o fim.
Eu, que não desejo o fim,
Fico tentando enxergá-lo,
Forço os olhos para visualizá-lo,
Mas nada encontro em nenhum lugar.
Uma nobre postura
Que se desfaz cansada,
Entrega as cartas e assume as trapaças.
domingo, 24 de agosto de 2008
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Um comentário:
Essa estrofe me fez lembrar de Fernando Pessoa:
"Tive um desejo surdo que escutei,
Minhas vozes chamavam meu nome,
Chamavam-me também por outros nomes,
Alguns que nem conheço nem entendo,
Alguns que entendo e conheço demais
Para encarar.
Fecho os olhos em resignação envergonhada."
Adorei seu blog... Deveria continuar escrevendo e postando...
Bjos...
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