Os tempos vão lentamente caindo,
A areia escorre na ampulheta.
Miúdos, miúdos pedaços.
Muitos pedaços miúdos jogados uns sobre os outros.
Fico pensando em pedacinhos de mim,
Escorrendo como areia,
Marcando as horas dentro de um vidro.
Uma miúda sensação faz escorrer sobre mim outras miúdas sensações.
Tenho saudades inexatas
E cúbicas lágrimas,
Gelo que desliza os olhos.
Não há como pontuar a eternidade.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
No Jardim da Noite
Entre flores e mistérios,
Entre mistérios e flores,
Eu vaguei no jardim da noite.
A lua refletida nas águas da fonte,
No branco brilho da lua eu podia entrever sombras.
As águas também refletiam meus olhos,
Procurei palavras para descrever o que via,
Tive medo de dizer palavras que tivessem o valor do nada,
Tive medo de ser aniquilada por pensamentos inexpressivos
Que eu não fosse capaz de carregar.
Depois tive medo de não ser digna da minha solidão,
De não saber o que fazer com minha preciosa solidão.
Tive medo de estar ali,
Absorta pela minha imagem,
Tal qual Narciso,
Para sempre,
Sozinha para sempre,
Então me invadiu um medo de não ser digna de companhia.
Entre flores e mistérios,
Entre mistérios e flores,
O que sobrava em minhas mãos
Eram pétalas de acaso,
Puro acaso que poderia me levar para o Olímpio,
Ou para o Hades.
Debrucei-me a pensar em tal dualidade,
Quis ir para o Olímpio,
Quis ir para o Hades,
Mas não queria ficar no meio do caminho.
Não queria o entre,
Queria o extremo,
Queria a força da vida exalando seu hálito por todos os cantos,
Queria, até mesmo, a força da morte exalando seu terrível hálito.
Mas não queria me perder em sorrisos feitos de conveniências,
Não queria me perder em hábitos distraídos,
Em beijos tediosos,
Ou amores sem odores.
Entre mistérios e flores,
Eu vaguei no jardim da noite.
A lua refletida nas águas da fonte,
No branco brilho da lua eu podia entrever sombras.
As águas também refletiam meus olhos,
Procurei palavras para descrever o que via,
Tive medo de dizer palavras que tivessem o valor do nada,
Tive medo de ser aniquilada por pensamentos inexpressivos
Que eu não fosse capaz de carregar.
Depois tive medo de não ser digna da minha solidão,
De não saber o que fazer com minha preciosa solidão.
Tive medo de estar ali,
Absorta pela minha imagem,
Tal qual Narciso,
Para sempre,
Sozinha para sempre,
Então me invadiu um medo de não ser digna de companhia.
Entre flores e mistérios,
Entre mistérios e flores,
O que sobrava em minhas mãos
Eram pétalas de acaso,
Puro acaso que poderia me levar para o Olímpio,
Ou para o Hades.
Debrucei-me a pensar em tal dualidade,
Quis ir para o Olímpio,
Quis ir para o Hades,
Mas não queria ficar no meio do caminho.
Não queria o entre,
Queria o extremo,
Queria a força da vida exalando seu hálito por todos os cantos,
Queria, até mesmo, a força da morte exalando seu terrível hálito.
Mas não queria me perder em sorrisos feitos de conveniências,
Não queria me perder em hábitos distraídos,
Em beijos tediosos,
Ou amores sem odores.
sábado, 24 de maio de 2008
Passear pela sala
Passear pela sala,
Passos em descompassos no mesmo cômodo de todos os dias,
Em mim um pedaço de incomodo,
O fastio das paredes abatendo-me.
A tristeza da ansiedade vem engolindo minha rotina há dias,
Espero que minha espera não esteja esperando por nada,
Quero dizer que espero que minha espera espere por algo além de vultos.
Não há nada que venha derreter o silêncio,
Pois ninguém vê a cor do meu retido grito,
E o que diria minha tímida voz diante do delírio,
Da sensatez do meu delírio,
E o que diria minha tímida voz diante de você,
Da sensatez da sua existência quase calculada.
Pensar em você não me levará a qualquer lugar,
E que lugares procuro?
Não quero espaços nos seus braços,
Não desejo ter histórias nas suas memórias!
Onde é que eu poderia ir?
Vou pensando em parar de pensar.
Seria perfeito se eu me entendesse com o imperfeito,
Seria quase um gozo senão fosse o desprezo,
Seria lindo alcançar a imperfeição perfeita,
Tão lindo,
Quase ridículo de tão bonito.
Pego com carinho o telefone em minhas mãos,
Está mudo como eu,
Deixo-o cair sem que meus olhos caiam também,
Seguro meus olhos na face,
Peço desculpa a mim mesma pelo que me fiz,
Depois cuspo as desculpas no ralo da pia.
Não posso mais me arrepender das desventuras,
Desvaneço os velhos rostos na fumaça de tantos cigarros,
Tento traçar um futuro qualquer,
Mas no estado em que me encontro,
Se todas as retas virassem curvas,
É provável que eu não notasse.
Passos em descompassos no mesmo cômodo de todos os dias,
Em mim um pedaço de incomodo,
O fastio das paredes abatendo-me.
A tristeza da ansiedade vem engolindo minha rotina há dias,
Espero que minha espera não esteja esperando por nada,
Quero dizer que espero que minha espera espere por algo além de vultos.
Não há nada que venha derreter o silêncio,
Pois ninguém vê a cor do meu retido grito,
E o que diria minha tímida voz diante do delírio,
Da sensatez do meu delírio,
E o que diria minha tímida voz diante de você,
Da sensatez da sua existência quase calculada.
Pensar em você não me levará a qualquer lugar,
E que lugares procuro?
Não quero espaços nos seus braços,
Não desejo ter histórias nas suas memórias!
Onde é que eu poderia ir?
Vou pensando em parar de pensar.
Seria perfeito se eu me entendesse com o imperfeito,
Seria quase um gozo senão fosse o desprezo,
Seria lindo alcançar a imperfeição perfeita,
Tão lindo,
Quase ridículo de tão bonito.
Pego com carinho o telefone em minhas mãos,
Está mudo como eu,
Deixo-o cair sem que meus olhos caiam também,
Seguro meus olhos na face,
Peço desculpa a mim mesma pelo que me fiz,
Depois cuspo as desculpas no ralo da pia.
Não posso mais me arrepender das desventuras,
Desvaneço os velhos rostos na fumaça de tantos cigarros,
Tento traçar um futuro qualquer,
Mas no estado em que me encontro,
Se todas as retas virassem curvas,
É provável que eu não notasse.
Estatismo
Era só eu quem reparava,
Eu contemplava as minhas sombras estáticas,
Como quem adora um monumento consagrado,
Algo que ficou documentando um tempo passado,
Dentro de um salão de antiquários.
Hesitei alguns minutos para voltar a perceber a gravidade terrestre,
Pensei para levantar meus pés e dar mais um passo,
Fosse um passo para frente,
Um passo ao lado,
Ou mesmo um passo para trás,
Naquele momento qualquer coisa seria válida,
Qualquer coisa que me tirasse do lugar onde estava absorvida pelas minhas pessoas.
Senti que o centro da Terra é um imã puxando-me sempre para baixo,
Assim mantenho meu precário equilíbrio.
Poderia ser uma música,
Ou poderia ser o silêncio,
Mas precisava que de algum modo
Meu coração não passasse despercebido pelo som,
Pois eu procurava a saída do estatismo,
Buscava algum fluxo
Que não fosse o fluxo sonâmbulo.
Eu contemplava as minhas sombras estáticas,
Como quem adora um monumento consagrado,
Algo que ficou documentando um tempo passado,
Dentro de um salão de antiquários.
Hesitei alguns minutos para voltar a perceber a gravidade terrestre,
Pensei para levantar meus pés e dar mais um passo,
Fosse um passo para frente,
Um passo ao lado,
Ou mesmo um passo para trás,
Naquele momento qualquer coisa seria válida,
Qualquer coisa que me tirasse do lugar onde estava absorvida pelas minhas pessoas.
Senti que o centro da Terra é um imã puxando-me sempre para baixo,
Assim mantenho meu precário equilíbrio.
Poderia ser uma música,
Ou poderia ser o silêncio,
Mas precisava que de algum modo
Meu coração não passasse despercebido pelo som,
Pois eu procurava a saída do estatismo,
Buscava algum fluxo
Que não fosse o fluxo sonâmbulo.
Uma Dessas Noites
Bati três vezes na porta com artificial sossego. Podia ser que ela estivesse com alguém. Podia ser que estivesse só, mas que quisesse continuar só. Podia ser que ela abrisse a porta de cara amarrada, ou podia ser que ela me recebesse com largo sorriso; como saber, ela era imprevisível, às vezes me beijava até eu me sentir cansada e, às vezes, eu nem a beijava e ela reclamava de cansaço.
Ela percebeu, qualquer um perceberia, que cheguei um pouco bêbada em sua casa.
Cheguei um pouco bêbada e um pouco triste, porém não cheguei a implorar um ombro para chorar, não cheguei a cuspir pela janela nem a falar que tudo era sem sentido, que viver era como gritar com um surdo ou pintar para um cego, não cheguei a reclamar de mim mesma, nem a mal dizer o mundo, apenas pedi para ela colocar aquele CD do Tom Waits que tanto gosto. Meu coração estava nublado e sem trovões, sem ruídos.
Ela fez um sutil comentário de que já estava tarde, ao qual eu fingi não ouvir, o relógio dela sempre corria mais rápido do que o meu.
Deitei em seu colchão velho e amarelado que cheirava mofo; nenhuma posição era cômoda, qualquer lado em que virasse sentia meus músculos contraídos ou relaxados demais. Insisti que não se incomodasse comigo, que eu sou assim meio soturna mesmo, que não queria nada, apenas ficar quieta e, de preferência, não ter que pensar muitas coisas, mas que talvez fosse melhor ir embora, pois nem sabia ao certo porque tinha vindo. Contei até dez, respirei uma última vez o odor de sua casa, de seus objetos, da atmosfera de sua presença, então, disse tchau.
É sempre assim quando me despeço sem querer de fato ir embora, sempre tenho que respirar fundo, sempre tenho que contar alguns números, sempre tenho que dizer mentalmente “Vá embora agora, não vale a pena ficar, não seja inconveniente, tenha mais orgulho”.
Sabia que ao chegar em casa eu ainda poderia conversar com as plantas. Que meu cachorro viria me receber com empolgação, embora este não fosse um dia alegre para mim, mas meu cachorro não sabia disto, eu teria que contar a ele como me sentia e como queria ficar sozinha e como, por vezes, é ruim a solidão, mas que o melhor era que ele voltasse a dormir.
Chutei pedrinhas pela calçada, reparei a lua minguando.
Ela percebeu, qualquer um perceberia, que cheguei um pouco bêbada em sua casa.
Cheguei um pouco bêbada e um pouco triste, porém não cheguei a implorar um ombro para chorar, não cheguei a cuspir pela janela nem a falar que tudo era sem sentido, que viver era como gritar com um surdo ou pintar para um cego, não cheguei a reclamar de mim mesma, nem a mal dizer o mundo, apenas pedi para ela colocar aquele CD do Tom Waits que tanto gosto. Meu coração estava nublado e sem trovões, sem ruídos.
Ela fez um sutil comentário de que já estava tarde, ao qual eu fingi não ouvir, o relógio dela sempre corria mais rápido do que o meu.
Deitei em seu colchão velho e amarelado que cheirava mofo; nenhuma posição era cômoda, qualquer lado em que virasse sentia meus músculos contraídos ou relaxados demais. Insisti que não se incomodasse comigo, que eu sou assim meio soturna mesmo, que não queria nada, apenas ficar quieta e, de preferência, não ter que pensar muitas coisas, mas que talvez fosse melhor ir embora, pois nem sabia ao certo porque tinha vindo. Contei até dez, respirei uma última vez o odor de sua casa, de seus objetos, da atmosfera de sua presença, então, disse tchau.
É sempre assim quando me despeço sem querer de fato ir embora, sempre tenho que respirar fundo, sempre tenho que contar alguns números, sempre tenho que dizer mentalmente “Vá embora agora, não vale a pena ficar, não seja inconveniente, tenha mais orgulho”.
Sabia que ao chegar em casa eu ainda poderia conversar com as plantas. Que meu cachorro viria me receber com empolgação, embora este não fosse um dia alegre para mim, mas meu cachorro não sabia disto, eu teria que contar a ele como me sentia e como queria ficar sozinha e como, por vezes, é ruim a solidão, mas que o melhor era que ele voltasse a dormir.
Chutei pedrinhas pela calçada, reparei a lua minguando.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Espectros
Minha tímida e áspera voz sublinha minha introspecção. Hoje eu vi a cor do meu detido grito.
Meus fantasmas não saem do meu corpo para vagar à toa durante a noite. Não, muito pelo contrário, eles têm um objetivo, eles sempre tiveram um objetivo, sempre buscaram por algo que o meu próprio corpo nunca soube entender bem, meu corpo nunca soube direito traduzir as palavras, a poesia voraz, faminta, sedenta, dos meus espíritos, ah, se meu corpo é cheio de desejos, meu espírito é muito mais atroz! O pecado capital dos espíritos que me habitam é a gula, é a cobiça, é a ira, é a vaidade, é a luxúria, é a soberba, mas não a preguiça. Meus espectros não são preguiçosos, meus espectros voam mais altos e mais rápidos que os meus próprios sonhos, meus espectros percorrem o mundo para sussurrá-lo em meus ouvidos, e é assim que a minha mente tenta compreender qualquer coisa a respeito da vida.
Sei que em mim a reta se curva, que o certo se faz oblíquo, que talvez a voz da razão se torne voz da ilusão dentro dos meus planos futurísticos. Sei que meus abrigos podem cair com o sopro do lobo, sei que estão gotejando, que chove dentro de casa e mesmo assim eu não abandono os meus abrigos, mesmo assim eu insisto nos meus abrigos, pois eles continuam sendo os meus abrigos. E se tiver que me deparar com um lobo não terei muito com que me preocupar, porque também sou um pouco lobo, sou um pouco lobo e um pouco carneiro, mas também falo a língua dos lobos, também assopro como os lobos, também sei andar e correr como um lobo, sei caçar e fugir como um lobo, sei ser selvagem como um lobo e, às vezes, uivo, ou choro como um lobo olhando para lua, e sou tão solitária quanto um lobo é solitário.
Se minhas certezas são obscuras, se minhas certezas são pura contradição, então é porque sempre que me olho no espelho eu vejo, na verdade, o inverso da imagem, e quando não olho no espelho tenho que apalpar seguidas vezes a minha face, o meu corpo, para sentir como estou, para perceber a minha aparência, tentar perceber-me, não sei me perceber sem o toque, sem o meu toque e sem o toque alheio que passa a ser meu no momento da captação da minha pele, minha pele que apreende o que o outro me propicia.
Talvez se finja de lúcido o insano em mim, e finge tão bem que pode me convencer, pois a poeira da minha sala não chega a me sufocar, sei conviver com minhas dores e com meus prazeres, e quando não sei conviver, quando quero jogar metade do que tenho fora, quando faço meus piores gestos, é outra forma de sair de mim para passear-me por mim. Percebo, então, que até os meus objetos mais antigos ainda me surpreendem, aliás, esses são os que mais me surpreendem, surpreende-me a antiguidade com ares de novidade.
Tenho lágrimas que não escorrem, elas flutuam dentro de um lugar próprio para flutuação, minha aura flutua matéria, assim também tenho sorrisos que flutuam, meu campo eletromagnético flutua lágrimas e sorrisos.
Sonhos Acordados
Tão moleque e tão rico de idéias, aliás, rico de idéias justamente por ser criança. Sempre dormia contando estórias, é claro que se entretinha com as estórias e não dormia nada, repetia várias vezes a mesma estória, depois fazia muitos finais para um mesmo começo de estória, depois fazia muitos começos para um mesmo final. Procurava, na realidade, esferas em outras dimensões, queria achar uma entrada que saísse daqui, que desse em um lugar que talvez nem fosse lugar, que fosse diverso, como são diversos os dias, mas, não, que fosse mais diverso ainda, onde descobrisse sensações que dessem conta do corpo ou um corpo que desse conta de sensações, onde descobrisse sensações que extrapolassem o corpo e um corpo que extrapolasse sensações. Quando já era madrugada dormia. E dormia não como um anjo, não como um demônio, dormia como só uma criança pode dormir; dormia contando estrelas mentalmente, mas por vezes essas estrelas não eram estrelas senão desejos de outra coisa, desejos de algo que não saberia definir, desejo de correr em cima de árvores, de atravessar uma estrada inteira correndo até alcançar o infinito, desejo de nadar nas nuvens, nunca pensava que pudesse se afogar; só queria nadar e nadar e nadar, e mergulhar e mergulhar e mergulhar, voar na água, nadar no ar.
Imaginava-se uma espécie de super-herói pintando o arco-íris no céu. As sete cores pintadas por suas mãos.
Crescia e seus desejos cresciam e seu senso de realidade crescia ou diminuía, nem ele saberia dizer. Mas havia um desejo que persistia. Desejava pegar um pedaço de si, recortá-lo em outros pedaços e depois juntá-los, desejava embaralhar os pedaços e fazer outras combinações, queria experimentar a necessidade da luz e da sombra, e das sombras nas luzes e das luzes nas sombras.
Imaginava-se uma espécie de super-herói pintando o arco-íris no céu. As sete cores pintadas por suas mãos.
Crescia e seus desejos cresciam e seu senso de realidade crescia ou diminuía, nem ele saberia dizer. Mas havia um desejo que persistia. Desejava pegar um pedaço de si, recortá-lo em outros pedaços e depois juntá-los, desejava embaralhar os pedaços e fazer outras combinações, queria experimentar a necessidade da luz e da sombra, e das sombras nas luzes e das luzes nas sombras.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Deixe a Tempestade Passar
Deixe a tempestade passar
E venha enxugar o que a tempestade fez dos meus olhos,
Porque você é luz suave,
Nos seus ombros os pássaros poderiam pousar e descansar,
Mas você é só uma mulher sem caminho,
E eu sou só uma garota sem rumo.
Naqueles dias mais tristes em que se acorda lembrando da infância
E em tudo que sobrou de cada um de nós,
É com você que eu quero dividir o que sobra em mim,
É em você que eu quero saber o que há para além de mim,
E reconhecer o que temos guardado que de tão sagrado é mútuo.
Algo tão profundo que vem de outros tempos,
Mais longínquos do que nós mesmas ao nascer.
Quero deslizar na neve branca e macia do céu com você,
E ter a sua respiração aquecendo as minhas almas geladas,
E as minhas almas dançando com você.
E venha enxugar o que a tempestade fez dos meus olhos,
Porque você é luz suave,
Nos seus ombros os pássaros poderiam pousar e descansar,
Mas você é só uma mulher sem caminho,
E eu sou só uma garota sem rumo.
Naqueles dias mais tristes em que se acorda lembrando da infância
E em tudo que sobrou de cada um de nós,
É com você que eu quero dividir o que sobra em mim,
É em você que eu quero saber o que há para além de mim,
E reconhecer o que temos guardado que de tão sagrado é mútuo.
Algo tão profundo que vem de outros tempos,
Mais longínquos do que nós mesmas ao nascer.
Quero deslizar na neve branca e macia do céu com você,
E ter a sua respiração aquecendo as minhas almas geladas,
E as minhas almas dançando com você.
O Anjo Suicida
O anjo suicida,
Enjoado do fruto do pecado,
Tomou um veneno amargo,
Esquecido de mim,
Esquecido de tudo.
Deitou suas asas embaixo de uma árvore
E foi caminhando para o abismo,
Foi silencioso,
Foi desesperado,
Encantado por borboletas mortas.
Enjoado do fruto do pecado,
Tomou um veneno amargo,
Esquecido de mim,
Esquecido de tudo.
Deitou suas asas embaixo de uma árvore
E foi caminhando para o abismo,
Foi silencioso,
Foi desesperado,
Encantado por borboletas mortas.
Outros Lados
Enquanto o mundo se perde na via-láctea
E o homem olha calado
Com espanto e pudor dos seus atos dignos de vergonha,
Há dois pássaros que somem no horizonte,
Se um quer o céu,
Eu não hesito em dizer inferno
Porque aprendi a voar me arrastando no chão.
Outro dia perdi a estrela,
Fiquei nuvem diluída no vento,
Mesmo furacão me fez dormir,
Acordei a três milhas de mim.
Quando vi que não via o meu rosto,
Dei-me por morta,
Porém logo percebi meu coração batendo
Como uma pessoa impaciente tocando a campainha.
Tentei atender as mil portas do espírito,
Todavia eu cruzava os túneis da aura sem ter chave,
Sem ter fechadura,
Muito menos abertura,
Eu passava pelas frestas invisíveis que a luz da lua cortava para mim,
Deste modo passei por todas as avenidas do mundo
E mais uma centena de lagos e cachoeiras secretas,
Passagens para outros planos de existência,
Onde cachorros latem miados
E gatos miam latidos.
Não era febre que eu sentia,
Era frio de palavras de crianças vestidas de pais batendo em crianças vestidas de filhos.
O sorvete gelado que tomei de sua boca era muito quente,
Fiquei até doente.
Uma esfera além da nossa,
Antes? Depois?
Superior? Pequeno?
Vai aqui em outro lugar saber!
O círculo gira em redondo,
O céu se mostra em azul,
Mas tem outras cores, só que o universo chupou,
Fez isso para não nos matar de complexo de inferioridade.
E o homem olha calado
Com espanto e pudor dos seus atos dignos de vergonha,
Há dois pássaros que somem no horizonte,
Se um quer o céu,
Eu não hesito em dizer inferno
Porque aprendi a voar me arrastando no chão.
Outro dia perdi a estrela,
Fiquei nuvem diluída no vento,
Mesmo furacão me fez dormir,
Acordei a três milhas de mim.
Quando vi que não via o meu rosto,
Dei-me por morta,
Porém logo percebi meu coração batendo
Como uma pessoa impaciente tocando a campainha.
Tentei atender as mil portas do espírito,
Todavia eu cruzava os túneis da aura sem ter chave,
Sem ter fechadura,
Muito menos abertura,
Eu passava pelas frestas invisíveis que a luz da lua cortava para mim,
Deste modo passei por todas as avenidas do mundo
E mais uma centena de lagos e cachoeiras secretas,
Passagens para outros planos de existência,
Onde cachorros latem miados
E gatos miam latidos.
Não era febre que eu sentia,
Era frio de palavras de crianças vestidas de pais batendo em crianças vestidas de filhos.
O sorvete gelado que tomei de sua boca era muito quente,
Fiquei até doente.
Uma esfera além da nossa,
Antes? Depois?
Superior? Pequeno?
Vai aqui em outro lugar saber!
O círculo gira em redondo,
O céu se mostra em azul,
Mas tem outras cores, só que o universo chupou,
Fez isso para não nos matar de complexo de inferioridade.
Eu o Conhecia
Ele mergulhou nos meus olhos,
Eu o conhecia pelo cheiro,
Eu o conhecia pela imaginação.
Ele era sempre sério,
Até quando sorria.
Eu o conheci no momento de nossas mortes.
Nossos olhos esconderam-se atrás do medo
Para não nos vermos,
Para não arriscarmos um toque de olhares.
Eu o conhecia pelo cheiro,
Eu o conhecia pela imaginação.
Ele era sempre sério,
Até quando sorria.
Eu o conheci no momento de nossas mortes.
Nossos olhos esconderam-se atrás do medo
Para não nos vermos,
Para não arriscarmos um toque de olhares.
domingo, 18 de maio de 2008
Versos Que Fugiram Nesta Manhã
Os últimos poemas que escrevi
Tinham um pouco de você
As últimas lágrimas que escorri
Tinham um pouco dos seus olhos
Nos meus últimos sonhos
Paisagens do seu corpo
Da última vez que enlouqueci
Meus gritos eram a sua voz
Agora a estrada sozinha
Meus passos acompanhados de meus traços
Meus traços estraçalhados em meus braços
Os braços das memórias de meus laços
Sou escura
Mas sou verde como flor que nasce
Sou escura
É a fumaça do meu cigarro
Quando durmo pareço anjo
Quando acordo pareço homem
Quando amo sou mulher
Se você voltasse
Eu já fui embora
Não me encontraria naquele velho buraco de bocas beijando
Naquele profundo buraco de sexo
No raso buraco da solidão
Veja-me com as palavras da visão
Escute-me com a canção dos ouvidos
Toque-me com o silêncio do tato
Sinta-me com a incoerência da razão
Perceba
Depois que você foi
Eu já fui embora
Meus passos acompanhando meus traços
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