Minha boca é de poucas pronúncias
Meus olhos são de pouco silêncio
Meu coração são muitas batidas
Meus sonhos são infindáveis imagens
E vozes que se lançam no escuro
Vozes invisíveis
Imagens mudas
Vozes visíveis
Imagens nudas
Vozes cegas
Imagens surdas
Teias prolixas
Meus olhos são de eternas palavras
Minha boca de efêmeras delícias
Minha mão tocou o ombro do meu coração
O qual sussurrou sonhos
E eu murmurei desejos a todas as sombras
Minhas sombras se espalharam
Todas as luzes que me desenhando
Contornavam as minhas silhuetas
No chão nos muros ou nos objetos quaisquers
Todos os meus habitantes partiram para lados opostos
E todos me chamavam com anseio
Alguns sorriam
Outros explodiam
Uns cheiravam a flores
Outros cheiravam vermelho sangue
Eram incontáveis vozes
Incontáveis acenos
E cada qual se diluía em outros
Como uma dança de algas.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Escuto quando tua boca cala
Escuto quando tua boca cala
E tua pele lisa escorrega em pedidos que são a tua voz,
Mas tu sempre tímido.
Vejo o que o teu corpo esconde
E teus olhos desenham em cores,
Mas tu sempre longe.
Tateio o que teus olhos velam
E tuas palavras soam,
Mas tu sempre criança.
Tua imagem cobre todas as tardes,
Cada ponto de cada paisagem,
Mesmo nos mapas que não mostram os caminhos do teu corpo,
Mesmo nos dias em que só há renúncia,
Quando me surpreendo com o rosto vazio,
E te avisto com a mesma expressão avulsa
Da minha jovem cara distraída em ti.
Terrível sedução da leviana indecisão,
O amargo encanto dos gestos indevidos,
Das frases soltas e impróprias,
Dos desejos retirados,
Dos sabores umedecidos tanto quanto emudecidos.
Resta toda noite para observarmos o céu,
Caçarmos estrelas perdidas,
Falarmos bobagens excelentes,
Termos apenas os momentos.
Resta toda noite para olharmos o teto,
Encararmos as paredes que nos entremeiam invisíveis,
Discutirmos o gosto por nada e por tudo,
Sermos sempre cúmplices, até na réplica.
Estarei durante toda noite,
Sussurrando minha respiração,
Escondendo e multiplicando o desconhecido,
Revelando tudo que já sabemos.
E tua pele lisa escorrega em pedidos que são a tua voz,
Mas tu sempre tímido.
Vejo o que o teu corpo esconde
E teus olhos desenham em cores,
Mas tu sempre longe.
Tateio o que teus olhos velam
E tuas palavras soam,
Mas tu sempre criança.
Tua imagem cobre todas as tardes,
Cada ponto de cada paisagem,
Mesmo nos mapas que não mostram os caminhos do teu corpo,
Mesmo nos dias em que só há renúncia,
Quando me surpreendo com o rosto vazio,
E te avisto com a mesma expressão avulsa
Da minha jovem cara distraída em ti.
Terrível sedução da leviana indecisão,
O amargo encanto dos gestos indevidos,
Das frases soltas e impróprias,
Dos desejos retirados,
Dos sabores umedecidos tanto quanto emudecidos.
Resta toda noite para observarmos o céu,
Caçarmos estrelas perdidas,
Falarmos bobagens excelentes,
Termos apenas os momentos.
Resta toda noite para olharmos o teto,
Encararmos as paredes que nos entremeiam invisíveis,
Discutirmos o gosto por nada e por tudo,
Sermos sempre cúmplices, até na réplica.
Estarei durante toda noite,
Sussurrando minha respiração,
Escondendo e multiplicando o desconhecido,
Revelando tudo que já sabemos.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Se isto é tudo que me resta
Se isto é tudo que me resta, como posso fugir? Isto é tudo que me resta, amar e morrer todo dia, viver todo dia, ouvir meus passos quebrados atrás de mim, ouvir os passos caindo nos espaços, o estalar dos cacos, e uma tentativa sublime de colar os atos no tempo, no ar, na brisa fresca da noite, no calor abafado da tarde, no sono da manhã.
Quero colher as flores que brotam do meu coração, antes que elas murchem, quero colher as flores que brotam do coração da vida, antes que murchem, quero tê-las em minhas salas, depois perdê-las no espectro das ruas. Quero as flores dos meus sorrisos regadas com minhas lágrimas. Quero as pétalas aos ventos.
Diria que são as borboletas dançando dentro de mim, milhares. Mas as borboletas morrem e cada vez que elas deitam sua eternidade efêmera em mim, dói. Quando cada uma delas cansa suas asas e descansam caídas, dói como um milhão delas, como todas elas. O que me sustenta é que sempre nascem mais e mais borboletas e sempre há muitas cores batendo asas e voando em mim.
Há vermelho, e isto é sangue, paixão e loucura; há azul, e isto é mar, céu, imensidão e solidão, há amarelo, e isto é fruta, sabor e sol; há lilás, e isto é lembrança, transformação e espírito; há verde, e isto é cheiro, folhas e imagem; há laranja, e isto é calor, crepúsculo e reflexão; há branco, e isto é intenso, brusco e longo; há rosa, e isto é carinho, doce e afeto; há negro, e isto é medo, mistério, profundidade e poesia.
Espalho as cores, reflito as cores, absorvo num sorvo, sugo seus gostos da atmosfera, desato-as na alma das coisas.
Quero colher as flores que brotam do meu coração, antes que elas murchem, quero colher as flores que brotam do coração da vida, antes que murchem, quero tê-las em minhas salas, depois perdê-las no espectro das ruas. Quero as flores dos meus sorrisos regadas com minhas lágrimas. Quero as pétalas aos ventos.
Diria que são as borboletas dançando dentro de mim, milhares. Mas as borboletas morrem e cada vez que elas deitam sua eternidade efêmera em mim, dói. Quando cada uma delas cansa suas asas e descansam caídas, dói como um milhão delas, como todas elas. O que me sustenta é que sempre nascem mais e mais borboletas e sempre há muitas cores batendo asas e voando em mim.
Há vermelho, e isto é sangue, paixão e loucura; há azul, e isto é mar, céu, imensidão e solidão, há amarelo, e isto é fruta, sabor e sol; há lilás, e isto é lembrança, transformação e espírito; há verde, e isto é cheiro, folhas e imagem; há laranja, e isto é calor, crepúsculo e reflexão; há branco, e isto é intenso, brusco e longo; há rosa, e isto é carinho, doce e afeto; há negro, e isto é medo, mistério, profundidade e poesia.
Espalho as cores, reflito as cores, absorvo num sorvo, sugo seus gostos da atmosfera, desato-as na alma das coisas.
Breve Reflexão
Quem é ela? Eu não sei quem ela é, o que ela foi ou o que ela será. Quem sou eu? Eu não sei quem eu sou, quem eu fui e quem eu serei. É como se estivesse caminhando entre neblinas brancas durante a noite. Isto é bom, suave, liso, delicioso, extasiante, divertido ou romântico, mas às vezes este flutuar é terrível, angustiante, triste e depressivo, então, num quase desespero, se tudo não fosse demasiado parado, tenho vontade de deixar tudo, abandonar tudo, todos, eu mesma, mudar para um lugar distante, uma vida distante, ser, ser, ser, ser algo ou alguém que eu possa descrever, escrever. Ou então simplesmente deixar que eu não seja nada, não seja de ninguém nem de nenhum lugar, rasgar as teias bordadas pelo tempo e pelo espaço, pelas pessoas e pelos sentimentos.
Ela se entrega quase como uma criança se entrega a um brinquedo, mas ela não se cansa, ela se entrega como um deus se entrega ao mundo, ela se entrega como se eu não fosse quem eu sou, aceitando-me, adorando-me, e me arrastando junto a si. Arrastando-me para seu mundo, arrastando-me, como se eu não pudesse evitar, e, de fato, eu não estou evitando nada, eu estou até sendo sincera, mas isto não é algo assim tão fácil, eu sou longínqua, eu mesma tenho que gritar meu nome quando preciso me chamar, pois estou lá, aonde a vista precisa se esforçar para enxergar. E nada esta me arrastando, estou indo de mãos soltas para onde apraz.
Penso, posso passar minha vida ao seu lado, depois penso, como poderia eu passar a vida ao lado de alguém, se no fundo só sei ser sozinha, só sei caminhar em névoa, só sei pertencer ao vento, sei apenas pronunciar palavras, cordiais ou bruscas, fraternais ou imateriais e mais nada. É isto, a imaterialidade sufocando meus motivos e anseios, pouco mais do que isto, e, no entanto, esta sensação gigante de mundo.
E ela esta lá, a alguns quilômetros de mim, alguns quilômetros do meu corpo, sorrindo, como se eu pudesse vê-la aqui do meu lado, ela está sempre prestes a me tocar, a acariciar-me, a escrever-me poemas, a ser minha, mas eu nunca tenho certeza, nunca terei certeza, minhas certezas resolveram ir embora quando fiquei triste pela primeira vez, quando pela primeira vez chorei, não, não era a primeira vez, mas era como se fosse, e pela primeira vez eu me detestei, eu me culpei, eu cai, eu sumi, pela primeira vez também aprendi, mas pela última vez eu tive certeza. E agora, eu que não tenho certeza, fico buscando as certezas, fico buscando respostas que jamais terei, fico espreitando o invisível.
Ela está a alguns quilômetros, mas há pouco esteve ao meu lado, há poucos minutos, há poucas horas atrás, há alguns dias, não mais do que um dia, ontem ainda, ela estava bem aqui onde estou agora, junto de mim, e assim eu era dela, não totalmente dela, porque tinha que ser minha também, mas era quase toda dela e ela não dizia nada, pois sabia que eu era dela. Mas ela tem olhos delicados que assustam, seus olhos assustam quase tanto quanto os meus quando me vejo. Ah, ela aceita-me, e isto é estranho demais para mim. E eu tenho tantas estradas, tantos caminhos, tantos passos, tantos desvios, tantas brechas, tantas cavernas, tantos céus, tantos rios, tantos penhascos, tantos planetas, tenho tudo a ser percorrido ainda, mas só posso dar um passo, um passo e depois outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro... mas apenas um passo, enquanto penso mil passos. Sobre ela eu sei pouco, mas ela tem a mania de ser sincera e eu tenho a mania de tentar ser eu mesma representando-me, mal conseguindo fugir da teatralidade da vida. Ela tem a mania de ser tão sincera que eu não sei se ela é ela mesma ou se ela só sabe ser assim, mas se ela só sabe ser assim, ela é tão linda, e eu tão avessa que não me importa se sou linda ou horrível, pois sou avessa. Mas quero sempre ser bela, só que não sei ser nada disto, não sei ser linda, tampouco sei ser feia. A beleza é uma imagem, uma sensação, um sentido sem sentido. Não aprendi nada. Sei, eu a quero, mas querê-la é um abismo. Então pergunto se realmente quero, onde estou eu caminhando, para onde meus olhos vão, qual a temperatura dos meus desejos.
Transcorrer... correr... voar... permanecer... viajar... luzir... estar... avistar... sonhar... ficar... abraçar... molhar seus olhos... molhar sua boca... molhar seu corpo... transcorrer... correr... voar... permanecer... viajar... luzir... estar... avistar... sonhar... ficar... abraçar... molhar meus olhos... molhar minha boca... molhar meu corpo... minha vida... viver... viver... viver...
Ela se entrega quase como uma criança se entrega a um brinquedo, mas ela não se cansa, ela se entrega como um deus se entrega ao mundo, ela se entrega como se eu não fosse quem eu sou, aceitando-me, adorando-me, e me arrastando junto a si. Arrastando-me para seu mundo, arrastando-me, como se eu não pudesse evitar, e, de fato, eu não estou evitando nada, eu estou até sendo sincera, mas isto não é algo assim tão fácil, eu sou longínqua, eu mesma tenho que gritar meu nome quando preciso me chamar, pois estou lá, aonde a vista precisa se esforçar para enxergar. E nada esta me arrastando, estou indo de mãos soltas para onde apraz.
Penso, posso passar minha vida ao seu lado, depois penso, como poderia eu passar a vida ao lado de alguém, se no fundo só sei ser sozinha, só sei caminhar em névoa, só sei pertencer ao vento, sei apenas pronunciar palavras, cordiais ou bruscas, fraternais ou imateriais e mais nada. É isto, a imaterialidade sufocando meus motivos e anseios, pouco mais do que isto, e, no entanto, esta sensação gigante de mundo.
E ela esta lá, a alguns quilômetros de mim, alguns quilômetros do meu corpo, sorrindo, como se eu pudesse vê-la aqui do meu lado, ela está sempre prestes a me tocar, a acariciar-me, a escrever-me poemas, a ser minha, mas eu nunca tenho certeza, nunca terei certeza, minhas certezas resolveram ir embora quando fiquei triste pela primeira vez, quando pela primeira vez chorei, não, não era a primeira vez, mas era como se fosse, e pela primeira vez eu me detestei, eu me culpei, eu cai, eu sumi, pela primeira vez também aprendi, mas pela última vez eu tive certeza. E agora, eu que não tenho certeza, fico buscando as certezas, fico buscando respostas que jamais terei, fico espreitando o invisível.
Ela está a alguns quilômetros, mas há pouco esteve ao meu lado, há poucos minutos, há poucas horas atrás, há alguns dias, não mais do que um dia, ontem ainda, ela estava bem aqui onde estou agora, junto de mim, e assim eu era dela, não totalmente dela, porque tinha que ser minha também, mas era quase toda dela e ela não dizia nada, pois sabia que eu era dela. Mas ela tem olhos delicados que assustam, seus olhos assustam quase tanto quanto os meus quando me vejo. Ah, ela aceita-me, e isto é estranho demais para mim. E eu tenho tantas estradas, tantos caminhos, tantos passos, tantos desvios, tantas brechas, tantas cavernas, tantos céus, tantos rios, tantos penhascos, tantos planetas, tenho tudo a ser percorrido ainda, mas só posso dar um passo, um passo e depois outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro e outro... mas apenas um passo, enquanto penso mil passos. Sobre ela eu sei pouco, mas ela tem a mania de ser sincera e eu tenho a mania de tentar ser eu mesma representando-me, mal conseguindo fugir da teatralidade da vida. Ela tem a mania de ser tão sincera que eu não sei se ela é ela mesma ou se ela só sabe ser assim, mas se ela só sabe ser assim, ela é tão linda, e eu tão avessa que não me importa se sou linda ou horrível, pois sou avessa. Mas quero sempre ser bela, só que não sei ser nada disto, não sei ser linda, tampouco sei ser feia. A beleza é uma imagem, uma sensação, um sentido sem sentido. Não aprendi nada. Sei, eu a quero, mas querê-la é um abismo. Então pergunto se realmente quero, onde estou eu caminhando, para onde meus olhos vão, qual a temperatura dos meus desejos.
Transcorrer... correr... voar... permanecer... viajar... luzir... estar... avistar... sonhar... ficar... abraçar... molhar seus olhos... molhar sua boca... molhar seu corpo... transcorrer... correr... voar... permanecer... viajar... luzir... estar... avistar... sonhar... ficar... abraçar... molhar meus olhos... molhar minha boca... molhar meu corpo... minha vida... viver... viver... viver...
sábado, 17 de janeiro de 2009
Vou Volto
Vou
Volto
Sou meu retrato
Meu retrato não sou eu
Quero o que nunca quis
Teus lábios
Tua pessoa
Desejo o que jamais desejarei
Jamais quis
Jamais pedirei este doce
T u nãos tens
Este mel que tu não derramas
Jamais tu me farias feliz
Por quê?
Isto é este momento
Este acorde do violão
Esta sinfonia sem som
Enquanto ando
Enquanto o deserto venta
Enquanto a areia é o ar
Enquanto a água é o sal do mar
Enquanto o fogo é o corpo
Enquanto a dor participa de mim
Enquanto sou eu
Enquanto sou você
Enquanto sou apenas uma mancha
Um rabisco na paisagem
Uma voz no resto solitário do tempo
Vou
Volto
Sempre irei
Sempre voltarei
Porque amo este mundo desabitado que habitei
A palavra muda que gritei
E o rosto invisível
Que fiz questão de escancarar
Sempre irei
Sempre estarei
Estou como uma pluma no chão
Estou como uma pedra na bruma
Chovo nos teus olhos que vidram
Sigo passagens de nuvens
Volto
Sou meu retrato
Meu retrato não sou eu
Quero o que nunca quis
Teus lábios
Tua pessoa
Desejo o que jamais desejarei
Jamais quis
Jamais pedirei este doce
T u nãos tens
Este mel que tu não derramas
Jamais tu me farias feliz
Por quê?
Isto é este momento
Este acorde do violão
Esta sinfonia sem som
Enquanto ando
Enquanto o deserto venta
Enquanto a areia é o ar
Enquanto a água é o sal do mar
Enquanto o fogo é o corpo
Enquanto a dor participa de mim
Enquanto sou eu
Enquanto sou você
Enquanto sou apenas uma mancha
Um rabisco na paisagem
Uma voz no resto solitário do tempo
Vou
Volto
Sempre irei
Sempre voltarei
Porque amo este mundo desabitado que habitei
A palavra muda que gritei
E o rosto invisível
Que fiz questão de escancarar
Sempre irei
Sempre estarei
Estou como uma pluma no chão
Estou como uma pedra na bruma
Chovo nos teus olhos que vidram
Sigo passagens de nuvens
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Venho
Venho junto a mim,
Venho sentar-me comigo,
Venho deitar-me em mim,
Venho dormir no meu silêncio,
Minha tranqüila espera,
Mas é inevitável que meus pesadelos me acompanhem,
É inevitável entrar-me,
Estes medos são inevitáveis.
Agora eu peço aos meus sonhos os meus sonhos,
E inesperadamente sussurro seus nomes,
Inevitavelmente,
E quero seus laços,
E nesta dor espero os seus sorrisos,
O abrigo de meus amores,
Seu corpo alisando meus desesperos,
Meus desesperos deitados.
Aguardo o sol penetrar a janela,
Então fecharei os olhos sem receios.
Aguardo você,
Para confessar os segredos.
Distantes as horas de mim,
Distantes os espaços dos meus passos.
Desejo os nossos desejos,
Anseio nossos anseios.
Durmo meu sono solitário,
Minha voz vazia,
Os ventos rangem a porta na escuridão.
Venho sentar-me comigo,
Venho deitar-me em mim,
Venho dormir no meu silêncio,
Minha tranqüila espera,
Mas é inevitável que meus pesadelos me acompanhem,
É inevitável entrar-me,
Estes medos são inevitáveis.
Agora eu peço aos meus sonhos os meus sonhos,
E inesperadamente sussurro seus nomes,
Inevitavelmente,
E quero seus laços,
E nesta dor espero os seus sorrisos,
O abrigo de meus amores,
Seu corpo alisando meus desesperos,
Meus desesperos deitados.
Aguardo o sol penetrar a janela,
Então fecharei os olhos sem receios.
Aguardo você,
Para confessar os segredos.
Distantes as horas de mim,
Distantes os espaços dos meus passos.
Desejo os nossos desejos,
Anseio nossos anseios.
Durmo meu sono solitário,
Minha voz vazia,
Os ventos rangem a porta na escuridão.
Você e seus colares de pérolas
Você e seus colares de pérolas
Você e seus olhares de pedras
Você e seus colares de pedras
Você e seus olhares de pérolas
Você e seus olhares de pedras
Você e seus colares de pedras
Você e seus olhares de pérolas
Vermelho
Tudo era vermelho e chovia
Eu trazia mil relâmpagos nos olhos
Vinha de uma vida vazia
Procurando vasos para guardar minhas flores
Eu mesma uma porção de vasos cheios de ausência
Tudo era vermelho enquanto chovia
Mas os tristes também riem
E os alegres também choram
Mas não quis dizer qualquer palavra
Mas o mundo inteiro vago
Mas disse todas as manhãs
Disse todas as tardes
E disse todos os ventos que passaram em mim
Disse infinitas noites
Disse minhas mais cruéis delicadezas
E minhas delicadezas ferozes
Mas nos azuis da minha alma você entrou com calma
Mesmo tudo vermelho lá fora
E vermelho aqui dentro
Mas as janelas fechadas
E as portas trancadas
Mas você entrou pelos buracos da alma
Chovia e era vermelho
Não meus olhos que choravam
Não a dança das minhas lágrimas
Não o barulho da minha dor
O céu completo era vermelho
E nós olhávamos do horizonte para cima
Eu trazia mil relâmpagos nos olhos
Vinha de uma vida vazia
Procurando vasos para guardar minhas flores
Eu mesma uma porção de vasos cheios de ausência
Tudo era vermelho enquanto chovia
Mas os tristes também riem
E os alegres também choram
Mas não quis dizer qualquer palavra
Mas o mundo inteiro vago
Mas disse todas as manhãs
Disse todas as tardes
E disse todos os ventos que passaram em mim
Disse infinitas noites
Disse minhas mais cruéis delicadezas
E minhas delicadezas ferozes
Mas nos azuis da minha alma você entrou com calma
Mesmo tudo vermelho lá fora
E vermelho aqui dentro
Mas as janelas fechadas
E as portas trancadas
Mas você entrou pelos buracos da alma
Chovia e era vermelho
Não meus olhos que choravam
Não a dança das minhas lágrimas
Não o barulho da minha dor
O céu completo era vermelho
E nós olhávamos do horizonte para cima
Coração...
É cedo para você perguntar do meu coração,
Meu coração é distraído,
Nem repara o que repara.
Meu coração lança-se cegamente
Num caminho sinuoso e complexo.
Eu perco-me nas travessas do meu coração.
Eu sento e observo meus passos atrasados atrás de mim.
Eu ouço uma música triste,
Uma música qualquer,
E durmo quando o sol nasce.
Meu coração é distraído,
Nem repara o que repara.
Meu coração lança-se cegamente
Num caminho sinuoso e complexo.
Eu perco-me nas travessas do meu coração.
Eu sento e observo meus passos atrasados atrás de mim.
Eu ouço uma música triste,
Uma música qualquer,
E durmo quando o sol nasce.
Meu Coração
Meu coração pula por aí
Nos bares
Nos líquidos dos copos
Licores azuis e cor de rosa
Meu coração pula por aí
Nas cidades
Nas janelas acesas
Quartos elegantes e pobres
Meu coração vaza e emudece
Percorre ruas imensas
Escorre
Sob os pés
Escorre
Morre
Em cada lua
Morre
Em cada estrela
Em cada astro
E cada rastro
Em todo fim
E até em todo começo
Em todos meus sorrisos do avesso
Em tudo
Nos meus roubos
Nos atos intactos
Toda vez que furtei olhos e bocas
Toda vez que entreguei corpo e sonhos
Toda vez que pressinto o vazio
E toda vez que não sei
E eu nunca sei
Nos bares
Nos líquidos dos copos
Licores azuis e cor de rosa
Meu coração pula por aí
Nas cidades
Nas janelas acesas
Quartos elegantes e pobres
Meu coração vaza e emudece
Percorre ruas imensas
Escorre
Sob os pés
Escorre
Morre
Em cada lua
Morre
Em cada estrela
Em cada astro
E cada rastro
Em todo fim
E até em todo começo
Em todos meus sorrisos do avesso
Em tudo
Nos meus roubos
Nos atos intactos
Toda vez que furtei olhos e bocas
Toda vez que entreguei corpo e sonhos
Toda vez que pressinto o vazio
E toda vez que não sei
E eu nunca sei
Distraio-me
Distraio-me pensando em você,
Lembrando ou imaginando,
Querendo ou escondendo,
Sorrindo ou chorando.
Quando me percebo,
Já me esqueci,
Já me perdi,
Já me atrasei naquilo em que me adiantei.
Sempre perto de mim,
Palavras que não sei pronunciar,
Infinito difícil de descrever.
Seus olhos brandos
São o alvoroço dos meus olhos,
Seu rosto calado
É o ruído do meu rosto.
Sempre longe de mim,
Cores que quero tocar,
Versos que tento dizer .
Esta noite você aparece nos meus sonhos,
Tantas noites as paisagens somem,
Outra noite com a tua imagem.
A lua reflete tua voz em meus ouvidos,
O resto é silêncio esquecido,
Pois a canção que fugiu dos teus lábios,
Mesmo quando você quis silenciar,
É a única canção.
Lembrando ou imaginando,
Querendo ou escondendo,
Sorrindo ou chorando.
Quando me percebo,
Já me esqueci,
Já me perdi,
Já me atrasei naquilo em que me adiantei.
Sempre perto de mim,
Palavras que não sei pronunciar,
Infinito difícil de descrever.
Seus olhos brandos
São o alvoroço dos meus olhos,
Seu rosto calado
É o ruído do meu rosto.
Sempre longe de mim,
Cores que quero tocar,
Versos que tento dizer .
Esta noite você aparece nos meus sonhos,
Tantas noites as paisagens somem,
Outra noite com a tua imagem.
A lua reflete tua voz em meus ouvidos,
O resto é silêncio esquecido,
Pois a canção que fugiu dos teus lábios,
Mesmo quando você quis silenciar,
É a única canção.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Atravessei
Atravessei ruas,
Atravessei danças da noite,
Atravessei em distração as páginas de um livro,
Ainda distráida atravessei mil olhares penetrantes.
Atravessei corredores e elevadores,
Atravessei espectros do passado,
Atravessei em esquecimento rastros de mim,
Ainda esquecida atravessei meus próprios passos.
Atravessei o presente,
Mas não cheguei no futuro,
E atravessei meus sonhos,
Enquanto varava a madrugada.
No entanto não atravessei você,
Não atravessei as flores do seu cheiro,
Nem o gosto dos seus lábios,
Não atravessei o tempo do seu silêncio,
Nem o espaço das suas palavras,
Tampouco atravessei nossa memória,
Suas marcas em mim flutuam intactas.
Atravessei danças da noite,
Atravessei em distração as páginas de um livro,
Ainda distráida atravessei mil olhares penetrantes.
Atravessei corredores e elevadores,
Atravessei espectros do passado,
Atravessei em esquecimento rastros de mim,
Ainda esquecida atravessei meus próprios passos.
Atravessei o presente,
Mas não cheguei no futuro,
E atravessei meus sonhos,
Enquanto varava a madrugada.
No entanto não atravessei você,
Não atravessei as flores do seu cheiro,
Nem o gosto dos seus lábios,
Não atravessei o tempo do seu silêncio,
Nem o espaço das suas palavras,
Tampouco atravessei nossa memória,
Suas marcas em mim flutuam intactas.
Entre o vento e a tarde
Entre o vento e a tarde,
De um lado a outro meus passos,
Sobre o verde e sob o azul,
A frescura da chuva deitada,
As amoras esmagadas no chão,
Os amores apertados no peito,
O cheiro vermelho violeta,
E as memórias enroscadas no tempo,
Todas sussurrando em mim,
Desenhando imagens de neblina,
Procurando brechas nos rochedos,
Dedilhando notas no ar,
Dançando melodias de dias infindos.
De um lado a outro meus passos,
Sobre o verde e sob o azul,
A frescura da chuva deitada,
As amoras esmagadas no chão,
Os amores apertados no peito,
O cheiro vermelho violeta,
E as memórias enroscadas no tempo,
Todas sussurrando em mim,
Desenhando imagens de neblina,
Procurando brechas nos rochedos,
Dedilhando notas no ar,
Dançando melodias de dias infindos.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Quisera eu um gosto
Quisera eu um gosto
Um pouco
Do teu rosto
Teu torso
Quisera eu apenas um pouco
Tua língua
Tua saliva
Tua brisa
Mas quero um querer fundo
Além do muito
Do suposto mundo
Mais que palavras cruas
Ou o meu sorriso mudo
Quero todas as luas
Todas as noites tuas
E quando fores água
Quero molhar-me em cada gota
E quando fores fogo
Quero arder em cada chama
Quisera eu um rosto
Um corpo sobreposto
Apenas um pouco
Do teu gosto
Um pouco
Do teu rosto
Teu torso
Quisera eu apenas um pouco
Tua língua
Tua saliva
Tua brisa
Mas quero um querer fundo
Além do muito
Do suposto mundo
Mais que palavras cruas
Ou o meu sorriso mudo
Quero todas as luas
Todas as noites tuas
E quando fores água
Quero molhar-me em cada gota
E quando fores fogo
Quero arder em cada chama
Quisera eu um rosto
Um corpo sobreposto
Apenas um pouco
Do teu gosto
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