quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Escuto quando tua boca cala

Escuto quando tua boca cala
E tua pele lisa escorrega em pedidos que são a tua voz,
Mas tu sempre tímido.

Vejo o que o teu corpo esconde
E teus olhos desenham em cores,
Mas tu sempre longe.

Tateio o que teus olhos velam
E tuas palavras soam,
Mas tu sempre criança.

Tua imagem cobre todas as tardes,
Cada ponto de cada paisagem,
Mesmo nos mapas que não mostram os caminhos do teu corpo,
Mesmo nos dias em que só há renúncia,
Quando me surpreendo com o rosto vazio,
E te avisto com a mesma expressão avulsa
Da minha jovem cara distraída em ti.

Terrível sedução da leviana indecisão,
O amargo encanto dos gestos indevidos,
Das frases soltas e impróprias,
Dos desejos retirados,
Dos sabores umedecidos tanto quanto emudecidos.

Resta toda noite para observarmos o céu,
Caçarmos estrelas perdidas,
Falarmos bobagens excelentes,
Termos apenas os momentos.

Resta toda noite para olharmos o teto,
Encararmos as paredes que nos entremeiam invisíveis,
Discutirmos o gosto por nada e por tudo,
Sermos sempre cúmplices, até na réplica.

Estarei durante toda noite,
Sussurrando minha respiração,
Escondendo e multiplicando o desconhecido,
Revelando tudo que já sabemos.

Um comentário:

Carolina Cristina disse...

Apesar das modificações, continua lindo!!! Rsss...
Bjos...