quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vermelho

Tudo era vermelho e chovia
Eu trazia mil relâmpagos nos olhos
Vinha de uma vida vazia
Procurando vasos para guardar minhas flores
Eu mesma uma porção de vasos cheios de ausência

Tudo era vermelho enquanto chovia

Mas os tristes também riem
E os alegres também choram
Mas não quis dizer qualquer palavra

Mas o mundo inteiro vago

Mas disse todas as manhãs
Disse todas as tardes
E disse todos os ventos que passaram em mim
Disse infinitas noites
Disse minhas mais cruéis delicadezas
E minhas delicadezas ferozes

Mas nos azuis da minha alma você entrou com calma
Mesmo tudo vermelho lá fora
E vermelho aqui dentro
Mas as janelas fechadas
E as portas trancadas
Mas você entrou pelos buracos da alma

Chovia e era vermelho
Não meus olhos que choravam
Não a dança das minhas lágrimas
Não o barulho da minha dor
O céu completo era vermelho
E nós olhávamos do horizonte para cima

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