quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Não ser a mesma dos retratos

Não ser a mesma dos retratos.
Não a mesma das ocasiões favoráveis.
As mesmas das contradições, sempre as mesmas.

As escolhas aceitáveis.
As escolhas inaceitáveis.

Não é possível viver tudo sem viver o nada.

É muito estranho que me falte o que me resta e que me sobre o que me falta.
É muito estranho, mas a ausência é um presente indelicado do excesso de espaço,
É muito estranho esse tempo rápido e esse mal acabado cansaço.

Tudo o mais é como um vago fantasma,
Calado na noite exausta do dia.

Nem posso dizer que isso se aproxime do silêncio, pois vejo imagens tagarelas, enquanto ninguém diz nada, enquanto evita-se tocar no assunto.

Mas como alguém que se esquece de colocar os saltos e sente-se desequilibrado sem ele, percebi-me caindo.

E eu quisera ter tomado todas, mas estava completamente em mim, deparando-me comigo, atropelando-me.

Só pensava em partida.

A partida, a partida, a partida! A partida, a partida, a partida...

Todos os olhares diferentes.

E a expressão simples ficou intensa nos sonhos.

Muitas vezes o que é pequeno nos gestos pode ser enorme no fundo do coração,
E tudo se explode em sonhos.

Ela vive e morre nos sonhos.
Nos meus sonhos ela está vivendo e morrendo várias vezes.
Eu vivo e morro nos sonhos.
Nos meus sonhos eu estou vivendo e morrendo várias vezes.

Olho tantas vezes.

Digo palavras que preciso e tento conter o indeciso, mas isso tudo não é bem preciso.

2 comentários:

Carolina Cristina disse...

Linda, adorei a frase "Não é possível viver tudo sem viver o nada"...

Li esse poema pela terceira vez e pela terceira vez me emocionou...

Bjos enormes...

bruca disse...

rô! tudo legal?
estou passando para saber de vc, deixar um abração e dizer que essa sua poesia está mesmo muito linda!
beijos da bru