sexta-feira, 20 de março de 2009

Em largos passos um desviado espaço


Em largos passos um desviado espaço

Em largas falas palavras caladas
Em largos tempos espaçados momentos
Em lagartos lagartas em barcos e remos
Abandonados vemos paisagens sendo deixadas num caminho que fica para trás
Um espetáculo barato de dinheiro em alto valor
Um espetáculo barato de papel e letreiros e placas e andaimes em avenidas movimentadas por pessoas movimentadas em mil atos estáticos
Ah, que personalidade curiosa e feia! Ah, que ruidoso cuidado rude! Ah, que voz surrada, sussurrada e surda meu coração espanca! Ah, por onde era o vento que passava lento no relento! Vou ficando sombria nesta tarde vazia de luz!
Outras horas percorrem uma história confusa de si
Não era bem isso tudo que eu queria dizer
Eu me dissolvi e fui indo como, como, como, como, metáfora de mim, metáfora de nós.
Só pretendia um sorriso que não fosse de reflexo
Um sorriso de mim escorrendo em seus lábios e de seus lábios escorrendo em meus lábios
Um sorriso que escorre e mancha a paisagem assim como a paisagem mancha o sorriso
Uma paisagem de árvores e focas
Uma paisagem de águas e flores
Uma paisagem de montanhas e amores
Uma paisagem de gosto e sabores
Uma paisagem silvestre de frutas coloridas
Uma paisagem que não é uma natureza morta
Que não é um poema
Que não é uma submissão
Que é a mais alta paixão e compaixão
Ao longo de uma missão
Que não é simples persuasão
É a misteriosa criação de viver