sexta-feira, 20 de março de 2009

Um caminho destrevado destravado deslustrado deslocado escutado Um caminho destrevado destravado deslustrado deslocado escutado


Um caminho destrevado destravado deslustrado deslocado escutado


Avistei um grupo de vampiros
Agrupei minhas vistas em outras vistas
Soterrei algumas dores enquanto desabrochei outras
Assim como enterrei alguns sorrisos e ressuscito todos os dias antigos sorrisos
Sempre vou e bamboleio e desequilibro e sou frágil e sou forte e sou magra e sou gorda e sou estreita e sou larga e vou como quem anda num caminho longo muito longo inf...

Não gosto do NÃO irrefletido
Também não gosto do SIM desenfreado
Prefiro os paralelos os elos os duelos e os versos amarelos enfeitados de cogumelos juntando farelos de olhares esgoelos num caminho que não vai em caídas de meros versos tristes e lentos e pobres sempre salgados
Tem uma flutuação e várias rampas que sobem e descem e sobem e descem e sobem e desce Mas que é completamente diversa da montanha russa, porque é uma brisa, uma tempestade, um vento, uma chuva fina, uma agrupação de gotas grossas prenunciadas por um trovão, ou um rio que corre sempre na mesma direção, um rio que vai descendo como descem os rios, são versos embarcação que tentam exister e sobreviver apesar das graves tempestades.
Tenho um encontro com alguém que ainda não conheço, ainda não fui para o lado que é o outro, mas vim de lá, vim de mim, de um encontro para qual caminho.

Terei tempo
Quem sabe
Quanto tempo tenho?
Quanto tempo temos?
Quanto tempo tu tens?
Quanto tempo a história, os pertences, os deuses, os moradores, os abandonados, as circunscrições do universo, quanto tempo, um resto, uma vida, um nada distribuído em unidades de fraqueza, quanto tempo tem o bicho que mora em mim, o bicho que mora em nós, quanto tempo tem a nossa separação, a nossa individualidade, a nossa retardação, a nossa física de acontecimentos vulneráveis, e o prolongamento de quase o avesso das coisas que perpassam uma idéia secular e duradoura, que principia aqui e acaba aqui mas tem séculos milênios
Nos restaurantes um pouco de sobremesa
Nas mesas um pouco de purezas mal disfarçadas
Nas mentes um pouco de escrúpulos mal guardados e mal articulados mal passados

Quem não tem relógio Quem não é uma máquina Quem tem vontades Quem tem anseios Quem tem um pouco de um pouco de bem pouco do que se oferece todos os dias Quem não experimenta apenas a superfície Transforma a vida em VIDAS, a arte em ARTES, a sombra em SOMBRAS, a luz em LUZES, a levitação em LEVITAÇÕES, o espaço em ESPAÇO, em ESPAÇO, em ESPAÇO, em ESPAÇOS espaçados próximos, em APROXIMAÇÕES, em outras versões de meditação, em mediterrâneos de sublimação, explanação, associação.
O desejo viaja no coração e mora no infindável, viaja como uma pena no vento, numa enorme aventura.

Um comentário:

Carolina Cristina disse...

Nossa, Rô, você tem intensidades, densidades...
Adorei!!!
Bjos, linda...